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Música Cristã & Lutero

ANÁLISES ECLESIOLÓGICAS E ESTÉTICAS SOBRE A MÚSICA CRISTÃ

PREFÁCIO

LINHA DO TEMPO DA REFORMA:

MUDANÇA DE MUNDO À LUZ DA PALAVRA DE DEUS

Os tópicos enumerados abaixo delineiam a ordem cronológica dos fatos que ocorreram, a partir do início da mudança paradgmática (norma a ser seguida) intitulada "reforma protestante".

 

I - Noventa e cinco teses sobre o poder e eficácia das indulgências (31 de outubro de 1517)

II (A) - Imprensa (1440) -> Johannes Gutenberg

II - Dieta de Worms (1521)

III - A Reforma Radical (Século XVI)

IV - Dieta de Speyer (1526, 1529)

V - "EIN FEST BURG IST UNSER GOTT" (1527/1529, M.Lutero)

VI - "liberdade" evangélica (1525)

VI (A) - Alguns Estados/Países EVANGÉLICOS:  Ducado da Prússia (1525), Landgraviate de Hesse (1526), ​​Eleitorado da Saxônia (1527; pátria de Lutero), Palatinado Eleitoral (1530), Ducado de Württemberg (1534).

 

Com o advento do tipo móvel de Johannes Gutenberg (em meados do século XV), Lutero vislumbrou a possibilidade de publicação de conteúdo literário em larga escala.

Assim, ele pôde publicar suas 95 Teses em toda a Alemanha as quais, posteriormente, viriam a serem conhecidas em todo o Mundo.

Uma de suas principais Teses, como bem sabemos, foi a de que a Bíblia deveria ser traduzida em Língua Vernácula, ou seja, na língua nativa de cada povo/nação, possibilitando total acessa à Palavra de Deus.

Todo este processo foi inspirado e direcionado por Deus e pelo Espírito Santo os quais conduziram a Lutero nesta "reforma" que transformou o Mundo, através da Soberana e perfeita vontade de nosso Pai (após séculos de obscurantismo ao longo de toda a Idade Média. Aliás isto ocorre exatamente no que, historicamente, é denominado/conceituado de Renascença).

O termo "reforma protestante" (1), por questões teológicas/interpretativas - à Luz da Palavra de Deus - podemos melhor compreender como sendo a mudança de Mundo através da ação de Deus.

A Bíblia é absoluta e eterna. Portanto, a reforma se trata de alteração de panorama diante da vigente situação na qual o Mundo e a Igreja se situara, sob a égide do sistema impositório do pensamento e do acesso a Bíblia e da Vida como Cristão e Ser Humano. Por fim, "protestante" também sempre considerei uma titulação pejorativa pois nós não protestamos contra nada nem ninguém - à Luz do ensinamento de nosso Jesus, mas sim veiculamos a Palavra de Salvação, de Amor e da irmandade que prevaleça dentre todos nós.

Outra mudança deveras fundamental, deveras relevante a nós Músicos, também consta destas Teses.

A Música "Ein Feste Burg Ist Unser Gott" (Em Alemão) que traduzido para Português é "Castelo Forte" (Hino de número 323 do Cantor Cristão, entoado nas Igrejas Batistas), foi composta por volta do ano 1527; é um dos hinos mais conhecidos da Música Evangélica. (”Protestante” (1)). É considerado o Hino de Batalha da ‘Reforma’, devido ao efeito produzido no apoio à causa dos Reformistas. 


Quatro teorias são mencionadas sobre sua a origem da "Reforma":


1-) Heinrich Heine: foi cantado por Martinho Lutero e seus companheiros, quando entraram em Worms em 16 de abril de 1521, para o interrogatório (Concílio = dieta= édito);


2-) K.F.T. Schneider: foi um tributo ao amigo de Lutero, Leonhard Kaiser, que foi executado como um mártir protestante, em 16 de agosto de 1527;


3-) Jean-Henri Merle d'Aubigné: foi cantado pelos príncipes luteranos alemães, quando entraram em Augsburg para Dieta em 1530, na qual a Confissão de Augsburgo foi apresentada; 


4-) A opinião de que foi composto em conexão com a Dieta de Speyer (1529), na qual os príncipes luteranos alemães apresentaram o seu "protesto" ao Imperador Carlos V, que queria reforçar o seu Édito de Worms (1521).

O mais antigo hinário existente, em que este hino aparece, é o de Andrew Rauscher (1531), mas é provável que ele figurasse no hinário de Wittenberg (cidade onde morava Lutero; na igreja do castelo da cidade afixou seus textos/Teses), de Joseph Klug, de 1529, do qual não existe cópia. Seu título era Der xxxxvi. Psalm. Deus noster refugium et virtus (2). Antes disso é provável que tenha figurado no Hinário de Wittenberg, de Hans Weiss de 1528, também extraviado. Esta evidência reforça a idéia de que fora escrito entre 1527 e 1529, já que os hinos de Lutero eram impressos imediatamente após serem escritos.
 

A música ulterior a este momento era extremamente polifônica. Este fato, uma vez que nem todas as pessoas possuíam ou possuem um treinamento e conhecimento musical prévio, viria a dificultar a execução, o canto no culto congregacional, segundo a visão técnica-estética de Lutero. Deste modo, ele pensou e propôs que a música fosse "simplificada" em sua estrutura (parâmetros musicais como ritmo, melodia e letra) de modo que fosse facilmente aprendida e também entoada pela congregação, pela igreja.

No momento em que Lutero aponta, em suas Teses de número 53, 54 e, especialmente, 62, pressupõe a plena libertação do pensamento e da Fé Cristã, através da salutar interpretação e também acesso às sagradas escrituras , a saber: A Bíblia.
 

Na sessão final da Dieta = Édito = Concílio em 1529, a "decisão do Concílio" foi mais uma vez lida, mas nenhuma palavra foi dita sobre o protesto dos príncipes evangélicos. Em resposta, os conselheiros dos príncipes evangélicos e os agentes das Cidades Livres reuniram-se em 25 de abril e redigiram um Instrumentum Appellationis, no qual as reclamações contra a decisão do Concílio foram mais uma vez analisadas/contestadas. Este texto foi levado ao Sacro Imperador Romano por um embaixador.


Desde o Concílio (Dieta ou Édito, são termos também utilizados) em Speyer (is a city in Rhineland-Palatinate in Germany) os Evangélicos na Alemanha, os quais trabalhavam juntamente com outros Evangélicos ao redor do mundo, sobre o intitulado ‘movimento reformista’, ficaram conhecidos como "Protestantes“ (terminologia pejorativa a qual foi escrita/intitulada na história pelo Sacro Império Romano).


Seis príncipes evangélicos, a saber: John the Steadfast of Wettin, Elector of Saxony, George the Pious of Hohenzollern, Margrave of Brandenburg-Ansbach, Ernest I the Confessor of Brunswick-Lüneburg, Duke of Lüneburg-Celle and his brother Francis, Duke of Brunswick-Lüneburg, Duke of Gifhorn, Philip I the Magnanimous, Landgrave of Hesse, Wolfgang of Ascania, Prince of Anhalt-Köthen.

A partir desta data, deste momento, em Abril de 1529, ‘o protesto’ (Protestati => CONTESTAÇÃO), a petição dos Príncipes e das Cidades Livres, e sobretudo, os Luteranos, foi denominado como sendo o nascimento do ‘Protestantismo’ pelo Império Sacro Romano-Germânico.

A supremacia da Palavra de Deus e Sua Soberania de Deus são absolutas. Não obstante é em 1522, após esta profunda mudança de ação de Deus, é que Lutero converge, através do que postulou nas Teses 92 a 95, que propõe as mudanças litúrgicas que seriam pilares à Igreja a partir do início do Século XVI. A homofonia “eclesiástica”, por conceito, implica em uma verticalização das linhas melódicas atreladas ao ritmo. Isto é, os hinos compostos a partir de então (os quais são há cerca de 500 anos utilizados nas Igrejas Evangélicas), contém uma estrutura onde a harmonia e ritmo caminham em simultaneidade e, por conseguinte, a letra.


Como mencionei acima, o Hino “Castelo Forte” é o mais conhecido exemplo musical desta nova estética musical litúrgica proposta e estabelecida por Lutero. 

(1) O termo “protestante” vem do documento formal de protesto – Protestatio – que os luteranos apresentaram em uma assembleia em 1529, manifestando a sua oposição política religiosa adotada pela Igreja.

Palavras-chave: música; história da música; estética musical; música cristã; música sacra; paradigmas musicais; psico-cognição musical; bíblia; música na Bíblia.

Graça e paz advindas de nosso Senhor Deus e Eterno Pai.

 

Fred

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